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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Rachou-me o pote...

Obra do artista Luiz Xavier

Entre flores raras os pensamentos circulam
no solo fértil do hemisfério cerebral, enquanto a juventude vai se perdendo
em seus cabelos negros e os meus olhos cintilam estrelas.
 
Eu lhe perdi, assim como se perdem os unicórnios,
perdi-me no breve caminho de um campo grande
para a minh'alma inda pequena,
entre flores também raras; 
de muitas perdas locupleta-se a existência.
 
Agora não me importam as horas,
a natureza me reconforta em verdes folhas que escrevo.
Estrelas ainda cintilam nos meus sonhos,
nos seus longos cabelos escritos em noite escura.
 
Choro em inglês e bebo melancolia na linha do horizonte ao pôr do sol...
A vida vai me piscando... dia após dia,
  até me desaparecer ao fim desse curto e aparente longo caminho.
 
O pote de barro rachou-me
e a sede vazou-me em versos...
 
Ismael Machado

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Escritora Paulina Chiziane, de Zamzébia - Moçambique, ganhadora do Prêmio Camões de Literatura 2021

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ao final da página, para assistir o vídeo acima.

A lucidez dessa mulher ao afirmar que mesmo quando escreve na primeira pessoa traz a voz coletiva, e portanto o prêmio é para todo um povo, cuja memória é matéria de sua literatura, realmente emociona.

Ela dizer que veio do chão, ou de lugar nenhum é muito forte. E ser inspiração para as futuras gerações é revolucionário.
Nesse momento em que se explicita a chaga do racismo, mobilizando a imprensa e a sociedade em diferentes partes do planeta, o Prêmio Camões, para além da literatura, assume uma posição política louvável.

E a cereja do bolo foi Paulina se assumir pobre e dizer que vai esperar o dinheiro para comprar champanhe.

Professor Paulo Cabral
Campo Grande - MS