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terça-feira, 13 de outubro de 2026

A mesma paz de espírito


A meta é ter a mesma paz de espírito desse autor desconhecido, 
quando disse:

"Eles me insultaram em 70 linhas. 
Apenas os erros gramaticais me incomodaram."

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Dor de Brasil

Hoje eu acordei com uma dor de Brasil. Com tantos ais na garganta, uma dor gigante pela sua própria natureza, levantei-me rapidamente do meu compartimento esplêndido e corri para o "toilette". Interessante, em francês, até o nome da latrina para defecar me parece mais elegante.


Em verdade, tenho uma vontade de vomitar, que me vem desse primeiro pleito, digo, peito, de um jeito que decerto irei sujar os carpetes azuis ou verdes dos salões dessa pátria amada, em realidade, armada de vermes cultivados no ventre. Ai, que dor intensa que a barriga ostenta, uma dor varonil.


Sinto um soco, um "jab" e direto, de direita, bem dado na borboleta no estômago, para que ela não possa voar mais, sobretudo em outros pretendidos anos ditatoriais.


Sentado, no trono, pensando o imperialismo americano, felizmente decadente, conjecturo: - Onde estar, existir, sem o cuidado com o semelhante, com o social?


Ontem, acho que exagerei no chá verde dos Bragança, ou foi aquele outro, o amarelo, um presente dos Habsburgo, chás alucinógenos aqueles, justamente tomados no obscurantismo desses dias, eles me complicaram o intestino delgado e me roubaram a lucidez, talvez, devido à fervura, ou ao mau caráter deles, veros ladrões das grã-finas porcelanas. Agora, faz-se iminente evacuar, esvaziar o intestino grosso e de modos despudorados, sem quaisquer decoros.


Tem gente que ainda pensa que toda família é nobre... que todos os seus filhos foram criados e eleitos para os melhores propósitos... 


Um sonho intenso esse! Utópico.


O sanitário me cairia bem, deporia ali o nojo que sinto do fascismo, desse radicalismo desentortado, pois, esvaem-se nele o primeiro e o segundo cérebros. 


Ai, que dor de Brasil, pois a minha barriga dói com uma lógica mefistofélica, e a minha ética dói com modos aristotélicos.


Ó, socorro, minha mãe gentil, socorro Franciscos, Manuéis, Machados e Silvas, alguns deles autores de hinos e poemas sacros, socorro, Marias, Santos e Souzas e todos desse solo, julguem esses dejetos pútridos, em meio à microbiota, eles fétidos de poderes e gazes que se vão aos ares e depois, como todos, patriotas, ou não, à terra descem.


Na hora derradeira, fatal, do juízo verdadeiro, final, ali enfileirados estarão os filhos e filhas, brasileiros e brasileiras e eu, com olhos transcendentes, verei cada um perante o Anjo da Morte, alguns ainda argumentando, tentando, com mentiras bradando, trazendo nas mãos jornais sujos de "fake news", por acreditarem piamente nelas, mas tendo vivido afastados de toda piedade. Neles o medo, a barriga dorida, retorcida, os dentes rangentes, a cara pálida, pintada com o horror de si mesmos, porém, antes de todo e de fato descrentes. Foram adoradores do dinheiro, mas no instante cabal não haverá nenhum socorro de centavo de metal. Do Banco Maldito, Master, na mente os registros das altas cifras, falcatruas, milhões, como apagá-las nessa hora, ou pagá-las agora?! O único Advogado possível foi morto por eles no passado de seus corações. Ainda que houvesse recurso nos tribunais das suas consciências, como advogar atos tais, esses indefensáveis? 


Enquanto isso, na terra idolatrada, resta um Sol de Esperanças que não se põem ao cair de tarde.


Por entre os risos ricos nos lábios de tamanha falsidade vão entremeadas as dores e incontáveis necessidades. Ó meu Pai, abençoai as hienas, brancas ou morenas, pentacampeãs mundiais, suas alegres aparentes dançarinas em fantasias de carnavais. 


Como compreender que alguém, um ser humano, racional, com o dedo polegar opositor, possa escolher, por vontade, a própria servidão? 


Putz, me lembrei, é que à noite sonhei com uma águia vermelha em seu dorso e, ela, de frente, atacava cruelmente o meu papagaio, verde-louro, mas ele gritava e não se entregava e falava tão alto e estridente que eu, de repente, despertei. 


Percebo, há urubus à espreita. Eles trazem suas bandeiras escuras com a inscrição "it was stolen", mas eles mesmos trazem as garras fétidas de carniças dos espólios. É difícil compreender que as pessoas tem o arbítrio de serem más. Denuncio aqui, formalmente, pois há um cristianismo que, explicitamente, não segue o Cristo. Todo aquele que vive e tem olhos pode ver.


Bem sei que o meu protesto não pode se conformar, a minha fé não irá se curvar aos poderes deste mundo  vil. Elevo os meus olhos ao céu, eles brilham o límpido anil.


Sou apenas um animal político, não consigo viver sem a comunidade. Afora as dores, desejaria tanto, para o meu povo, um pouco de felicidade.


O vento que toca minhas faces traz a mesma textura dos sonhos e das estrelas.


Ismael Machado 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O autor de O Ateneu, um clássico



Raul Pompeia nasceu em Angra dos Reis, em 1863, em uma família muito rica. Dono de uma alma profundamente sensível, artística e observadora, ele carregava desde a juventude uma intensidade emocional que o tornava tanto um gênio quanto alguém extremamente vulnerável às pressões do mundo. 

No início da adolescência, foi matriculado no rígido Colégio Abílio, um colégio interno de elite exclusivo para rapazes dirigido pelo Barão de Macaúbas. 

Essa vivência no internato deixou marcas profundas na sensibilidade do autor, fornecendo a matéria-prima psicológica e as amargas lembranças necessárias para estruturar, a sua obra-prima máxima: o romance O Ateneu, concebido quando ele tinha apenas 24 anos

Lançado em janeiro de 1888, o livro chegou às livrarias em um momento de intensa ebulição cultural e política no Brasil, com o país fervendo em debates sobre o fim da escravidão e a queda do Império. 

O romance é narrado por Sérgio, um adolescente enviado por seu pai para estudar em um dos colégios internos mais prestigiados do Rio de Janeiro, o Ateneu, comandado pelo vaidoso e autoritário diretor Aristarco. 

Por trás da fachada de uma escola moderna e exemplar, o internato funciona como um verdadeiro microcosmo e um retrato cortante da convivência humana e das relações de poder. 

Como o colégio era exclusivamente para rapazes e mantinha os alunos distantes do convívio familiar, sem contato com o mundo externo e sem a presença de figuras femininas, criava-se um ambiente de forte isolamento e alta voltagem emocional. 

É exatamente nesse cenário de convivência fechada que a homossexualidade e a homoafetividade ganham relevância na trama: os alunos se envolvem romântica e sexualmente entre si, moldados por uma dinâmica intensa de segredos, conflitos de sentimentos, paixões obsessivas e ciúmes possessivos.

O próprio protagonista Sérgio, vivencia a perda abrupta da inocência e o desmoronamento de seus referenciais morais ao se envolver nessas experiências com outros colegas. 

Para Pompeia, que canalizou suas próprias observações dolorosas para a ficção, essa convivência no internato corrompia a pureza dos sentimentos, distorcia profundamente o equilíbrio mental e deixava marcas indeléveis na psique dos jovens.

​Apesar da franqueza desconcertante e das polêmicas sobre a forma nua, crua e realista como expunha as entranhas da sociedade, O Ateneu foi aclamado de forma imediata por leitores e críticos. 

No seu lançamento em 1888, a obra foi recebida com entusiasmo arrebatador e apontada nos jornais da época como um clássico definitivo, um livro monumental que seria lido e estudado por gerações e gerações.

​Fora dos livros, no entanto, a vida de Raul Pompeia foi marcada por intensos conflitos. 

Intelectual brilhante e de personalidade forte, Pompeia era um abolicionista radical que lutava bravamente pela liberdade dos negros e um republicano fervoroso, profundamente contra o Império e suas estruturas antigas. 

Com a Proclamação da República, sua projeção atingiu o topo quando ele foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional, o cargo cultural mais importante do país.

​Essa postura progressista fez dele um alvo constante dos conservadores. Pompeia acumulou muitos inimigos políticos e passou a ser atacado duramente na imprensa. 

Seu principal rival era o poeta Olavo Bilac, com quem vivia trocando farpas públicas. Como Pompeia era um homem elegante, abastado, considerado muito bonito e com mais de 30 anos sem nunca ter se casado ou se envolvido publicamente com mulheres, seus opositores exploravam a sua vida privada para tentar destruí-lo. 

Os inimigos espalhavam boatos maldosos e usavam O Ateneu como arma de perseguição: argumentando que a obra era fortemente inspirada nas memórias e vivências do próprio autor, e já que o protagonista e os garotos do livro se envolviam com outros rapazes, eles deduziam maliciosamente que o próprio Raul Pompeia havia passado por aquelas mesmas experiências e, portanto, seria homossexual. 

A invasão da vida privada do autor e a hostilidade escalaram a ponto de Pompeia e Bilac marcarem um duelo de espadas para lavar a honra, embora tenham sido convencidos a não lutar de última hora.

​Esgotado em sua delicada saúde emocional pelos ataques diários à sua reputação, Raul Pompeia tomou uma decisão drástica. 

No noite de 25 de dezembro de 1895, escolhendo de propósito a noite de Natal para dar um recado forte à sociedade, Pompeia cometeu suicídio com um tiro no coração, aos 32 anos. 

Antes de morrer, deixou um bilhete curto e marcante para a imprensa: “Ao jornal A Notícia, e ao Brasil, declaro que sou um homem de honra”.

Anos mais tarde, em 1902, o próprio Olavo Bilac redimiu-se publicamente ao reconhecer a genialidade de Pompeia e enaltecer O Ateneu como uma das obras mais importantes e originais da língua portuguesa.

De fato, tudo aquilo que havia sido previsto em seu lançamento em 1888 se concretizou plenamente: O Ateneu superou o tempo, tornando-se um clássico eterno e absoluto da literatura brasileira que até os dias de hoje é amplamente estudado em escolas e universidades de todo o país.

Fonte: Fotos e Vídeos Antigos, Felipe Mathias

sábado, 19 de setembro de 2026

A ingratidão


"O tempo é natureza, 
a ausência pode ser força,
a ingratidão sempre é um delito."

Do famoso Sermão do Mandato, 1643, 
Pe. António Vieira. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Folhas brasileiras


 Meu 2o. livro "Folhas brasileiras", nas mãos das crianças,
um tributo a nossa cultura e à Natureza, com prefácio da reconhecida professora universitária Áurea Rita de Ávila Lima Ferreira, Mestre em Estudos Literários pela Unesp.