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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O que nunca foi, de Sidnéia Miato


Sidnéia Miato

Dez anos de trocas;
Três anos de idas e vindas,
Mas nenhum registro.

Não temos uma foto,
Nunca tivemos um date,
Nunca dormimos juntos,
Nunca saímos de mãos dadas,
Nunca fomos ao cinema,
Nunca ganhei um ursinho,
Nunca ganhei flores.

Há as memórias, minhas e tuas:
As tuas, escondeste de mim,
Mas o tempo, o retorno e o seu corpo
Contam-me!
As minhas, eram vivas e apaixonadas,
Eram, porque agora elas estão em ato
Fúnebre.

Você disse que eu deveria me acostumar 
Com o seu jeito pingue-pongue,
Apesar de me adorar e me achar foda!
Você me deixou ir embora.

Sidnéia Miato

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Supostas prisões, uma ode à liberdade


Há prisões neste mundo em doenças que prendem os moribundos

aos seus leitos de dores, dos quais a morte vem, depois, libertar.

 

Há prisões em corpos esculturais, presos às suas paixões e  a determinados padrões e em prazeres do sexo, do poder e da fama.


Há prisões hedonistas, sádicas e masoquistas.

Em tristezas contidas, depressões, em frases não ditas, em dores conscientes, confessas, dissimuladas, há prisões.

 

Há prisões não supostas em vícios vários, a princípio prazerosos, mas em formato de algemas que fazem gemer depois.

 

Há prisões que badalam os seus sinos, chamando os inocentes ou pobres pecadores às suas celas de doutrinas, para as quais os incautos prisioneiros caminham ainda cheios de esperanças.

 

Há prisões que prendem os seus amores em reais horrores, e machucam por dentro e fora.

 

 

Há prisões em países com parcos recursos para a educação, capazes de aprisionarem gerações e gerações.

 

Há prisões em si mesmo, as quais prendem mais 

do que as grades de metais das cadeias, donde é difícil se soltar.

Necessitam psicólogos, psiquiatras, quais carcereiros,

para ajudar na soltura de traumas e tramadas celas escuras do inconsciente.

 

 Há prisões em palácios com as suas cercas elétricas, portões eletrônicos e altos muros de medo.

 

Há prisões nas sarjetas e em maltrapilhos famintos de igualdade e fraternidade.

 

Há prisões que prendem os pais e os filhos em distâncias não transpostas.

 

Há prisões supostas ou não, mas o ser em si anseia pela vida e pela liberdade.

 

Ismael Machado, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Duas notas: 

1) Poema objeto de estudo no PROFLETRAS (Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional), Disciplina de Leitura do Texto Literário, da UEMS, no dia 17.08.26.

2) No Dia da Revolução dos Cravos, 25.04.21, uma excelente notícia, meu poema "Supostas prisões, versos livres", publicado em Portugal, na antologia Liberdade, pelo Grupo Editorial Atlântico/Chiado Editora.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Ela

Ela

gostava de ser ela.


Ele 

gostava de ser outro.


Ela 

era lua.


Ele 

dizia que era o Sol.


O coração dela

explodia.


O dele mentia.


Versos

prosas

conversas.


E ela nua.


Sílabas

palavras

um texto inteiro.


E ela

pele

carne

vontade crua.


A língua

escorria

no mistério

no corpo

na ponta do beijo

quase inteiro.


No verso

na prosa

numa conversa

inversa

o corpo todo descia.


E ela

nua

feito lua 

brilhava e fingia.


Sem querer

o gozo dela

vibrava

ardia.


O gozo dela

nua

crua

explodia.


O gozo dela

em verdade acontecia...


Cristina Vieira

sábado, 22 de agosto de 2026

Mente e coração

Bispo de Hipona

Onde o teu coração e a tua mente se detêm, 
para lá os teus pés te conduzem.

Santo Agostinho

sábado, 15 de agosto de 2026

O Hino mais lindo do mundo


 Na Copa do Mundo de Futebol Masculino o Hino Nacional Brasileiro 
foi eleito o mais lindo de todos os países.

 Veja acima, interpretado pelo tenor italiano Davide Carbone.