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Defronte está o mar imenso, olho para dentro de mim e vejo
águas, marés, altas, baixas. Sigo aprendendo a conviver comigo, aprendizado, às
vezes, difícil, e me incomodo muito, quase me desgasto em face dum desconforto,
principalmente quando a solidão, pedregosa solidão, bate insistente com suas
ondas revoltas.
Tento expulsá-la, é difícil quando se sente só, acompanhado
pode ser mais fácil disfarçar, camuflar a solidão. Olho para o
verde-mar-esmeralda e tenho esperanças num relance, num instante, desse olhar.
Não tenho pretensão para a perfeição, desisto, melhor viver
e aceitar os erros, pois de muitos somos constituídos. Quero um porto seguro
para ancorar o meu barquinho de papel, onde encontrá-lo? Há tantos caminhos,
qual dentre tantos trilhar?
Solto as rédeas da persona, deixo a vida, imprecisa,
conduzir esse leme de ansiedade. Felicidade parece quimera, portanto, quero
mais quimeras, muitas. Ó mar salgado, tempera o corpo, alma, inteiros, porque
ser insípido? Sequer uma olhada para trás, decerto nem mesmo a mulher de Ló
repetiria o feito, nem eu tornar-me estátua pra o vento soprar, a água
derreter, estátua nem de sal, nem insensível.
As crianças sorriem, brincam, nadam, nem sabem de coisa
quanta, tanta. Um dia aprenderão, ou desaprenderão, por certo, porque
aprendemos coisas, esquecemos outras e é humano esquecer, pra não enlouquecer.
Ser saudável é o desejável, sem se supor normal. Sem tornado o mar é calmaria,
doce ventre de Maria. Ora Senhor, ajuda-nos, sem demora, tenho pressa,
ansiedade desde o princípio quer chegar ao fim, e teimo em ir devagar,
devagarzinho, pois assim é que se chega, feito formiga, feito tartaruga, ao
largo caminho do mundo.
Quisera fazer uma aliança com o mar eterno, cujas ondas
passarão e para sempre ficarão, aliança mesclada de ouro e amor, com a
natureza, humana e divina.
Ismael
Machado
Poeta e escritor