Ela
gostava de ser ela.
Ele
gostava de ser outro.
Ela
era lua.
Ele
dizia que era o Sol.
O coração dela
explodia.
O dele mentia.
Versos
prosas
conversas.
E ela nua.
Sílabas
palavras
um texto inteiro.
E ela
pele
carne
vontade crua.
A língua
escorria
no mistério
no corpo
na ponta do beijo
quase inteiro.
No verso
na prosa
numa conversa
inversa
o corpo todo descia.
E ela
nua
feito lua
brilhava e fingia.
Sem querer
o gozo dela
vibrava
ardia.
O gozo dela
nua
crua
explodia.
O gozo dela
em verdade acontecia...
Cristina Vieira




