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sábado, 5 de setembro de 2026
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Meu pequeno hino, uma nota poética antiga
Ver o pôr do sol ali em Jeri é iluminar-se de horizontes. É um festival, um arrebol de cores, entardecendo dentro de si.
Em Jericoacoara parei, sentei e contemplei, um espetáculo digno dos mais efusivos aplausos. Pergunto, qual casa teatral poderá apresentar por tanto tempo uma peça assim tão magistral e sempre diversa, sem igual?!... Belo e formoso, resplandece majestoso e refulgente do Oriente ao Ocidente. Seus raios nos alcançam com dádivas, com mãos potentes.
Majestosamente se põe o Astro Rei. E eu bem sei que a vida e os ventos, com ele, bem ao longe me levarão, mais além, ó fonte da vida terrena e dos insondáveis mistérios da morte.
Bendiga, ó minh'alma, ao seu Criador, e tudo o que há na Terra e em mim, a Ele bendiga pelas suas obras sem fim.
Com as minhas faces, com a cara assim iluminada, alaranjada, vejo o pôr mais lindo do Sol, justo enquanto ouço o canto do Siará, tupi-guarani, em Jericoacoara. Em certo sentido somos todos filhos e filhas do Sol, pois dele emanam a luz e a vida pulsante, vibrante. Ele acende sua imensa chama e incendeia as piras, os altares, os lugares, para velar por nós mortais. Nesse lugar assim lindo eu quero estar e, por anos a fio, ali ficar.
Saí da toca, junto de tantas tartarugas marinhas, somos seres navegadores de mares, das profundezas da vida. Quando ele, o Sol, se levanta, desde milênios de milênios, então, vai abençoando a Terra, os demais Planetas e todos os seres vivos ou inanimados.
Nessas linhas segue inscrita uma nota poética antiga, andina e egípcia, uma espécie de códice ou hieroglifo, que em tempos modernos destaco, aqui coloco o meu grifo.
Logo em seguida ao poente surgirá nos céus a Lua em sua fase crescente. Ela virá dar forças ao surgimento dos sonhos do povo, das gentes. Lua de Prata e jangada dourada anseiam por trilhas de Sol, por suas belezas e riquezas. Vão no compasso das tartarugas, lentamente, segundo após segundo, qual o Sol se pondo, vão todos vagarosamente, preguiçosamente, melancolicamente. Lua, Sol e jangadeiro seguem a solidão das estrelas.
Aqueles foram dias feitos só de Sol, lá para onde fui e não queria voltar, um lugar ao Leste. Pois, me parece que sempre será melhor seguir por roteiros de Sol e de mar.
Com suas cores e incontáveis pores, dia após dia, um espetáculo antimonotomia com tamanha policromia.
Sem a sua luz, sem o seu calor, a vida fenece, mas consigo ela floresce e se move, cresce. Seus mistérios são revelados aos homens em seu curso do Leste ao Oeste. Em aproximadas doze horas geométricas, sob o signo dos números, primeiro o que princípia a vertical e depois o que se dobra entre o círculo e a reta, vê-se desde o seu nascer, percorrer os caminhos dos seres vivos, e ao Oeste se deitar, assim, consigo, o dia vai se findar.
Há quantos becos na Terra, algum deles quer ser o jardim de uma vida inteira, outros inominados. Mas para o Sol não há quaisquer becos, quando ele se levanta ao Leste as rotas se tornam fecundas.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
O que nunca foi, de Sidnéia Miato
Três anos de idas e vindas,
Mas nenhum registro.
Não temos uma foto,
Nunca tivemos um date,
Nunca dormimos juntos,
Nunca saímos de mãos dadas,
Nunca fomos ao cinema,
Nunca ganhei um ursinho,
Nunca ganhei flores.
Há as memórias, minhas e tuas:
As tuas, escondeste de mim,
Mas o tempo, o retorno e o seu corpo
Contam-me!
As minhas, eram vivas e apaixonadas,
Eram, porque agora elas estão em ato
Você disse que eu deveria me acostumar
Com o seu jeito pingue-pongue,
Apesar de me adorar e me achar foda!
Você me deixou ir embora.
Sidnéia Miato
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Supostas prisões, uma ode à liberdade
Há prisões neste mundo em doenças
que prendem os moribundos
aos seus leitos de dores, dos quais a morte vem, depois, libertar.
Há prisões em corpos esculturais, presos às suas paixões e a determinados padrões e em prazeres do sexo, do poder e da fama.
Há prisões não supostas em vícios vários, a princípio prazerosos, mas em formato de algemas que fazem gemer depois.
Há prisões que badalam os seus sinos, chamando os inocentes ou pobres pecadores às suas celas de doutrinas, para as quais os incautos
prisioneiros caminham ainda cheios de esperanças.
Há prisões que prendem os seus amores em reais horrores, e machucam por dentro e fora.
Há prisões em países com parcos recursos para a educação, capazes de aprisionarem gerações e gerações.
Há prisões em si mesmo, as quais prendem mais do que as grades de metais das cadeias, donde é difícil se soltar.
Necessitam psicólogos, psiquiatras, quais carcereiros, para ajudar na soltura de traumas e tramas das celas escuras do inconsciente.
Há prisões em palácios com as suas cercas elétricas, portões eletrônicos e altos muros de medo.
Há prisões nas sarjetas e em maltrapilhos famintos de igualdade e fraternidade.
Há prisões que prendem os pais e os filhos em distâncias não transpostas.
Há prisões supostas ou não, mas o ser em si anseia pela vida e pela liberdade.
Ismael Machado,
Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.
Duas notas:
1) Poema objeto de estudo no PROFLETRAS (Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional), Disciplina de Leitura do Texto Literário, da UEMS, no dia 17.08.26.
2) No Dia da Revolução dos Cravos, 25.04.21, uma excelente notícia, meu poema "Supostas prisões, versos livres", publicado em Portugal, na antologia Liberdade, pelo Grupo Editorial Atlântico/Chiado Editora.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Ela
Ela
gostava de ser ela.
Ele
gostava de ser outro.
Ela
era lua.
Ele
dizia que era o Sol.
O coração dela
explodia.
O dele mentia.
Versos
prosas
conversas.
E ela nua.
Sílabas
palavras
um texto inteiro.
E ela
pele
carne
vontade crua.
A língua
escorria
no mistério
no corpo
na ponta do beijo
quase inteiro.
No verso
na prosa
numa conversa
inversa
o corpo todo descia.
E ela
nua
feito lua
brilhava e fingia.
Sem querer
o gozo dela
vibrava
ardia.
O gozo dela
nua
crua
explodia.
O gozo dela
em verdade acontecia...
Cristina Vieira








