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segunda-feira, 1 de junho de 2026

O silêncio grita em linguagem de nomenclatura própria

 


A linguagem do silêncio parece ter maior força de expressão que as muitas línguas que possamos falar.


Na quietude, que não é propriamente paz, o espírito discorre sobre vidas e fatos inusitados, sequer concebidos pela mente consciente, e por dentro e por fora vagueia essa fala interior, em que o próprio ser se trai analisando suas realidades conscientes e inconscientes. É, então, travada imensa uma batalha, sem palavras. E a mente, recorrente, atemporal, vai buscar na dramaturgia shakespeareana suas possibilidades, a fim de juntos repetirem velha questão vital: “To be or not to be?”


Sem respostas prossegue o silêncio, devorador, devastador, com suas injunções, iminente, presto a lançar mão d’alguma elocução letal, para dizer-nos uma porção daquelas realidades que preferimos guardadas, escondidas ou camufladas.


Acusa-se, e ainda mesmo como réu, se condena, sem ao menos ter em conta que não se foi oficiado para tal. Esse silêncio é o eu, pequeno ou adulto, não importa, um eu despido frente ao espelho, ele mesmo, como é


Quisera rir, o riso travou, chorar, gemido não tem, então busca-se ambos, rir e chorar num só tempo, em que a morte e a vida estão co’as mão dadas, dando-se a impressão de tamanha perplexidade...


E o silêncio, por vezes, companheiro perfeito da solidão, cavalga terras desconhecidas dos meros humanos, campos interiores muito vastos, nunca d’antes palmilhados. Onde vai dar tal cavalgada? O que mais nos dirá, em versos, esse tudo e aparente nada?...


Psiu!... Escuta. Será diálogo ou discussão a próxima fala?


Ismael Machado
Poeta e escritor