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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Jewishes or other peoples

Jewish Museum, Berlin.

Em pleno século XX, eram os anos de 1939 a 1945, esse terrivel e interminável tempo, e eu ali ainda vi o ódio matar milhões e milhões de humanos (com carne, dor, sangue e sentimento), eu vi novamente Ramá chorando por seus filhos mortos em um labirinto de horrores, onde havia muitos Minotauros. Eu vi o verbo clamando por seus pobres filhos esquálidos, famintos, doentes, ignorantes de toda sorte.


Homens, mulheres, crianças, inocentes foram mortos num jardim entre as regadas e crescidas flores da crueldade.


Era Herodes ressuscitado em carne e osso, vivo em outros corpos da vildade, sem qualquer piedade. O Nazifascismo persiste no século XXI, tempo em que os algarismos romanos quase nem se usam mais.


A Terra, às vezes, me parece apenas um gueto, um lugar onde os holocaustos se concentram em incontáveis campos, eles se sucedem, em quaisquer tempos, entre as nações. Isso beira um tom de ironia. But the World, seriously, represents a place where oprimidos tantas vezes tomam as máscaras dos seus opressores, e eles as acham tão bonitas, lhes encaixam tão perfeitamente nas faces, que olvidam o seu lugar de origem, olvidam os seus pares oprimidos de outrora, de agora, e desde sempre.


Perdão, há uma confusão, o antissemitismo diverge do sionismo, na mesma proporção da distância que vai do oprimido ao opressor, pois eles estão equidistantes. Há medos inumeráveis de ambos os lados, mas amar Ramá, em todos os sentidos, lendo da direita pra esquerda, ou o inverso disso, repito, amar Ramá, lança fora todo o medo. Porque na etimologia do amor não há medo.


Os antigos filósofos gregos, inventores da democracia, revolvem-se em suas catacumbas, delas querem se levantar e corrigir o que, hodiernamente, entendem por democracia, hoje com suas falsas ideologias, fajutos e toscos modos de pensar o mundo.


Eu quero a Menorá, de ouro maciço, bem dentro de mim, com seus sete sagrados dons, sua Luz espargindo os seus raios, sem um fim. Nessa Shekinah cantarei os cânticos duma sabedoria indescritível aos meros mortais. Ali, em meu peito, novamente crescerão os ramos da Árvore da Vida, sob suas sombras verei outros rebentos sorridentes.


O que eu vejo é infinitamente melhor do que a lente da minha câmera. Com os meus óculos de poeta eu posso reenxergar a realidade míope.


Ismael Machado

quarta-feira, 29 de abril de 2026

500 anos da virgula

Muito boa a campanha da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), por ocasião dos seus 100 anos de fundação. A campanha versou sobre os mais de 500 anos do uso da vírgula na Lingua Portuguesa. 


*A virgula pode ser uma pausa, ou nao. 

Não, espere.

Não espere.


*Ela pode sumir com seu dinheiro:

R$ 23,4.

R$ 2,34.


*Pode criar heróis:

Isso só, ele resolve! 

Isso, só ele resolve! 


*Ela pode ser a solução:

Vamos perder, nada foi resolvido! 

Vamos perder nada, foi resolvido! 


*A vírgula muda uma opinião:

Não queremos saber! 

Não, queremos saber! 


*A vírgula pode condenar ou salvar:

Não tenha clemência!

Não, tenha clemência!


*Uma vírgula muda tudo!


ABI: 100 anos trabalhando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.


Considerações adicionais: 

*Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andsria de quatro à sua procura.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de "mulher".


*Se você for homem, colocou a vírgula depois de "tem".


😂😂😂😃


*Moral da história:

A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos a pontuação!


*Pontue sua vida com o que realmente importa.

Isso faz toda a diferença!

segunda-feira, 13 de abril de 2026

De volta ao mar




Quero sempre voltar ao mar, e ficar, e nele fluir.

Quero por o meu corpo salgado das mais verdes ondas, alegres fantasias.

Quero a completude do número nove e de suas provas, ele e eu, de cabeça erguida, com os pés plantados na terra.

A face oculta da  Lua me quer revelar verdades dessa pobre humanidade, com suas crateras de medos e profundas decepções. 


Ismael Machado 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Onde se bebe o brilho das estrelas


Família, por vezes, é quase toda feita de afeto, onde as afinidades e as divergências tentam conversar, estabelecer um diálogo, convergir em naturais incongruências.

Parentela não, ela é mero laço consanguíneo e, às vezes, aprisiona os pobres entes sob o mesmo teto, sem outra alternativa, sem afeto.

Já família é abraço, companhia, dialogicidade, busca de encontros,
alegrias, em quaisquer tempos ou distâncias. Família tem um quê de
fidelidade, respeito e lealdade. Aliás, família tem a força da luz que rompe a barreira do tempo, ela vai do choro do nascimento, perpassa as fases da
vida e adentra as lágrimas do sepulcro. Família é aquela parte que vai além da vida, em visitas tumulares, décadas após o sepultamento, porque
família é memória, jamais esquecimento, é saudade, lembrança que não se
apaga, não se acaba, um sentimento que apenas cresce, sem um fim.

Família é o cultivo cuidadoso da amizade, quando juntos se gera e
compartilha a felicidade. Espaço para desfazimento das discórdias, de suas transmutações em outras possibilidades.

Parentela é distância, às vezes, indiferença, e o sangue não flui por iguais caminhos venosos, sequer pelos mesmos ideais, os quais são díspares, criam arrelias, confusões arteriais, altas pressões, que nem os remédios dão conta depois.

Bem sei, família é lar, aconchego para onde se quer voltar, estar,
permanecer, jamais dela se quer sair, fugir. Porque isso já seria parentela. 

É que família contém toda ela a circunferência do amor, em seus diâmetros, desafios.

Somente a família serve delícias culinárias, cuidadosamente, amorosamente
preparadas para almoços que alongam as tardes de domingo, ou para jantares intermináveis, inesquecíveis, donde os entes saem felizes, inebriados.

Espaço onde, na infância,  se bebe o brilho das estrelas, em noites de
sonhos e ternuras, no colo do pai ou da mãe, quando os olhos enxergam e fazem pedidos cadentes. Onde se come o pão feito do sol do acalento de incontáveis dias.

Às vezes, família quer parecer parentela, mas depois cai em si e pede perdão pelo equívoco daquilo que efetivamente não é, e não desejaria ser
jamais.

Parente, infelizmente, quantas vezes atormenta a gente, parente pode ser provação, com os verbos conjugados no tempo do presente do indicativo de que está sendo inoportuno.

Cuidado, parente pode ser esse animal aparentemente domesticado, algo inocente, que assim, algo sorrateiramente, inesperadamente, morde a gente.

Ismael Machado
Escritor e poeta