Há prisões neste mundo em doenças
que prendem os moribundos
aos seus leitos de dores, dos quais a morte vem, depois, libertar.
Há prisões em corpos esculturais, presos às suas paixões e a determinados padrões e em prazeres do sexo, do poder e da fama.
Há prisões não supostas em vícios vários, a princípio prazerosos, mas em formato de algemas que fazem gemer depois.
Há prisões que badalam os seus sinos, chamando os inocentes ou pobres pecadores às suas celas de doutrinas, para as quais os incautos
prisioneiros caminham ainda cheios de esperanças.
Há prisões que prendem os seus amores em reais horrores, e machucam por dentro e fora.
Há prisões em países com parcos recursos para a educação, capazes de aprisionarem gerações e gerações.
Há prisões em si mesmo, as quais prendem mais
do que as grades de metais das cadeias, donde é difícil se soltar.
Necessitam psicólogos, psiquiatras, quais carcereiros,
para ajudar na soltura de traumas e tramas das celas escuras do inconsciente.
Há prisões em palácios com as suas cercas elétricas, portões eletrônicos e altos muros de medo.
Há prisões nas sarjetas e em maltrapilhos famintos de igualdade e fraternidade.
Há prisões que prendem os pais e os filhos em distâncias não transpostas.
Há prisões supostas ou não, mas o ser em si anseia pela vida e pela liberdade.
Ismael Machado,
Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.
Duas notas:
1) Poema objeto de estudo no PROFLETRAS (Mestrado Profissional em Letras em Rede Nacional), Disciplina de Leitura do Texto Literário, da UEMS, no dia 17.08.26.
2) No Dia da Revolução dos Cravos, 25.04.21, uma excelente notícia, meu poema "Supostas prisões, versos livres", publicado em Portugal, na antologia Liberdade, pelo Grupo Editorial Atlântico/Chiado Editora.

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