Living Lab - Sebrae (MS)
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sábado, 4 de abril de 2026
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Onde se bebe o brilho das estrelas
Família, por vezes, é quase toda feita de afeto, onde as afinidades e as divergências tentam conversar, estabelecer um diálogo, convergir em naturais incongruências.
Parentela não, ela é mero laço consanguíneo e, às vezes, aprisiona os pobres entes sob o mesmo teto, sem outra alternativa, sem afeto.
Já família é abraço, companhia, dialogicidade, busca de encontros,
alegrias, em quaisquer tempos ou distâncias. Família tem um quê de
fidelidade, respeito e lealdade. Aliás, família tem a força da luz que rompe a barreira do tempo, ela vai do choro do nascimento, perpassa as fases da
vida e adentra as lágrimas do sepulcro. Família é aquela parte que vai além da vida, em visitas tumulares, décadas após o sepultamento, porque
família é memória, jamais esquecimento, é saudade, lembrança que não se
apaga, não se acaba, um sentimento que apenas cresce, sem um fim.
Família é o cultivo cuidadoso da amizade, quando juntos se gera e
compartilha a felicidade. Espaço para desfazimento das discórdias, de suas transmutações em outras possibilidades.
Parentela é distância, às vezes, indiferença, e o sangue não flui por iguais caminhos venosos, sequer pelos mesmos ideais, os quais são díspares, criam arrelias, confusões arteriais, altas pressões, que nem os remédios dão conta depois.
Bem sei, família é lar, aconchego para onde se quer voltar, estar,
permanecer, jamais dela se quer sair, fugir. Porque isso já seria parentela.
É que família contém toda ela a circunferência do amor, em seus diâmetros, desafios.
Somente a família serve delícias culinárias, cuidadosamente, amorosamente
preparadas para almoços que alongam as tardes de domingo, ou para jantares intermináveis, inesquecíveis, donde os entes saem felizes, inebriados.
Espaço onde, na infância, se bebe o brilho das estrelas, em noites de
sonhos e ternuras, no colo do pai ou da mãe, quando os olhos enxergam e fazem pedidos cadentes. Onde se come o pão feito do sol do acalento de incontáveis dias.
Às vezes, família quer parecer parentela, mas depois cai em si e pede perdão pelo equívoco daquilo que efetivamente não é, e não desejaria ser
jamais.
Parente, infelizmente, quantas vezes atormenta a gente, parente pode ser provação, com os verbos conjugados no tempo do presente do indicativo de que está sendo inoportuno.
Cuidado, parente pode ser esse animal aparentemente domesticado, algo inocente, que assim, algo sorrateiramente, inesperadamente, morde a gente.
Ismael Machado
Escritor e poeta
segunda-feira, 30 de março de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
Eu só peço a Deus, com Mercedes Sosa e Beth Carvalho
Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucado brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda pobre inocência desta gente
É um monstro grande e pisa forte
Toda pobre inocência desta gente
Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente
Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganado
Pra viver uma cultura diferente
Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Muito obrigado Beth
Por haberme convidado para cantar para su público
En esta noche en Rio de Janeiro, obrigada a você
Um beijo Mercedes
Compositores:
Leon Gieco e Raul Ellwanger
segunda-feira, 23 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
Hoje, 21.03, é o Dia Mundial da Poesia, mas pra mim, Dia da Poesia é todo dia!
Ah! Esses cordéis vão aos céus, escorrendo pelas minhas veias, eles ainda dirão dos dias colossais, dias insabidos aos meros mortais.
Sou só metáfora, mas um dia, encantado,
inda viro neologismo.
inda viro neologismo.
Ismael Machado
sexta-feira, 20 de março de 2026
O ditador explícito, uma sátira ao fascismo
O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un.
Não me admira que um(a) único(a) homem (ou mulher) queira ser ditador(a), ademais com todos os privilégios e desmandos intrínsecos ao termo (implícitos: o autoritarismo, a corrupção, a tortura, mortes, exílios, perda das liberdades individuais democráticas, além da ilegalidade inerente às ditaduras).
O que me admira mesmo é que, apesar DE TUDO, milhares ainda queiram ser os vassalos dele(a).
Fernando Bandeira
quinta-feira, 19 de março de 2026
Um poema para méu amor…
Pedro Múcio interpretando seu texto.
Amor, perdoe-me pelos erros que cometi em nosso matrimônio.
Amor, desculpa por ter vindo aqui.
Amor, desculpa por ter que te deixar.
Amor, eu tenho medo… medo desse tempo tolstóiniano de guerras…. tenho medo destes meus inimigos, que por se verem em certas expectativas podem parecer diabos do inferno de Dante, mas que em outras perspectivas revelam vidas iguais as minhas — que provavelmente — estão por escrever cartas semelhantes a esta que estou aqui a escrever para vossa senhoria no mais preciso presente…
eu tenho medo, minha flor embalsamada… medo de que crianças tenham memórias póstumas de seus pais... memórias que remontam a corpos desgraçados e violadas por gases e fogos que queimam a derme desde a sua concepção pura.
Medo, medo, medo, medo.
Medo de monstros trajados de ternos, que ao longo de seus escritórios afastados da desgraça, brinquem com vidas inocentes e sublimes com seus sonhos fraternais e poéticos.
Tenho medo, meu amor… que esta seja a última vez que possa te chamar de amor… tenho medo de que nosso filho não possa ver seu progenitor prestar assistência a ele.
Tenho medo meu amor… de que eu jamais possa ver este corpo que exala concupiscência e voluptuosidade em seus bálsamos perfumados.
Estes olhos cheios de um fulgor belo como uma aurora boreal e uma tempestade de cima de um arranha-céu de Nova York.
Esta voz... que em seus mínimos tons soam como partituras criadas pelos maiores detentores da musicalidade neste planeta.
Esta boca rubra e bela como o sangue que atrai até Nosferatu — o vampiro — em seus momentos de reclusão.
Esse sorriso, que faria Louis Armstrong repetir seu fatídico e inexprimível refrão infinitas vezes. Esta alma que me concede forças nestes tempos de guerras destruidoras de lares e criadoras de cidades devastadas por cinzas de corpos e poesias…
Eu tenho medo, amor.
Pedro Múcio
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