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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Deixa-me seguir para o mar, de Mario Quintana


Tenta esquecer-me... 
Ser lembrado é como
evocar-se um fantasma... 
Deixa-me ser
o que sou, o que sempre fui, 
um rio que vai fluindo...

Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
me recamarei de estrelas 
como um manto real,
me bordarei de nuvens e de asas,
às vezes, virão em mim as crianças banhar-se...

Um espelho não guarda 
as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... 
é seguir para o mar, 
as imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...

toda a tristeza dos rios 
é não poderem parar!

Mario Quintana

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