Todos juntos pelas mulheres, pela vida e
pela.nao-violência.
Eu posso ser excluída dos registros,
ser apagada dos livros
e da memória dos que nunca me conheceram.
Posso ser empurrada para abismos e penhascos,
ser afogada nos lamaçais da mentira e da traição,
ser incinerada, como um arquivo desnecessário,
que, como a onda mais revolta,
me erguerei das profundezas e mostrarei minha força.
Sei que muitos ficam perturbados comigo,
preferem a distância,
mas não me dão paz,
que meus tesouros secretos atraem
e repelem na mesma intensidade.
E, como as palmeiras nas tempestades,
as velas dos barcos depois das tormentas,
a flor que insiste em brotar no jardim de cimento,
eu me erguerei em silêncio.
Eu estou de pé.
Posso até estar cabisbaixa e triste,
aglutinar poças de lágrimas,
sofrer noites de insônia e solidão,
mas, como um braço certeiro em meio à multidão,
como a roupa no varal durante a ventania,
como o amor supostamente adormecido,
eu me erguerei sem titubear
e estarei de pé.
Eu estou de pé.
Tenho medo? Alguma fraqueza?
Coleciono feridas?
Decerto que sim.
Tenho uma alma peregrina e intensa,
e um coração que abriga as minhas riquezas,
essas que tanto provocam a cobiça e o assombro.
Podem me esfolar em versos,
me dilacerar com a indiferença,
podem me aniquilar com ódio,
tentar me calar a voz,
que, mesmo com todos os lances contrários,
meu sangue ferve,
meu sexo pulsa,
minhas pernas são firmes,
e eu estou de pé.
(Continua na Parte II).
Lílian Maial


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