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quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Estou de pé, de Lilian Maial - Parte I

Todos juntos pelas mulheres, pela vida e
pela.nao-violência.

Eu posso ser excluída dos registros, 
ser apagada dos livros 
e da memória dos que nunca me conheceram.

Posso ser empurrada para abismos e penhascos,
ser afogada nos lamaçais da mentira e da traição,
ser incinerada, como um arquivo desnecessário,
que, como a onda mais revolta,
me erguerei das profundezas e mostrarei minha força.

Sei que muitos ficam perturbados comigo, 
preferem a distância,
mas não me dão paz,
que meus tesouros secretos atraem
e repelem na mesma intensidade.

E, como as palmeiras nas tempestades,
as velas dos barcos depois das tormentas,
a flor que insiste em brotar no jardim de cimento,
eu me erguerei em silêncio.
Eu estou de pé.

Posso até estar cabisbaixa e triste,
aglutinar poças de lágrimas, 
sofrer noites de insônia e solidão,
mas, como um braço certeiro em meio à multidão,
como a roupa no varal durante a ventania,
como o amor supostamente adormecido,
eu me erguerei sem titubear
e estarei de pé.
Eu estou de pé.

Tenho medo? Alguma fraqueza?
Coleciono feridas?
Decerto que sim.

Tenho uma alma peregrina e intensa,
e um coração que abriga as minhas riquezas,
essas que tanto provocam a cobiça e o assombro.

Podem me esfolar em versos,
me dilacerar com a indiferença,
podem me aniquilar com ódio,
tentar me calar a voz, 
que, mesmo com todos os lances contrários,
meu sangue ferve,
meu sexo pulsa,
minhas pernas são firmes, 
e eu estou de pé.

(Continua na Parte II).

                                 Lílian Maial

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