quarta-feira, 10 de junho de 2026

O arco de encantos





Aos homens e mulheres de boa vontade 


Em Genebra, a caminho das Nações Unidas, a pé, e a passos largos, contados e dirigidos pelo Maps, tive uma parada forçada para o abrigo da chuva, porque trazia o prevenido guarda-chuvas, esquecido, justo naquele momento, na mala, no quarto de hotel.


Portanto, pacientemente, longanimamente, parei e esperei sob relâmpagos,  raios e boa água. Parada bem recompensada, após retornada a caminhada, pelo lindo arco-íris nos céus daquela tarde primaveril. Havia bem tempos que não o via nos céus. E ele veio nestes literais tempos de dilúvio de guerras e conflitos, por isso, veio com s ajuda do, sol trazendo os traços reforçados da compreensão, com linhas bem definidas, veio a beijar-me a cabeça, abrir-nos os passos às muitas esperanças para a humanidade inteira.


Veio ajudar-me a perfilar em cores, alegrias e preces, as mais de cento e noventa bandeiras dos países do mundo. Veio, sim,  a desejar um tempo de paz na Terra e de boa vontade aos homens.


Ismael Machado



terça-feira, 2 de junho de 2026

Diálogos internos, algo subterrâneos

J

Defronte está o mar imenso, olho para dentro de mim e vejo águas, marés, altas, baixas. Sigo aprendendo a conviver comigo, aprendizado, às vezes, difícil, e me incomodo muito, quase me desgasto em face dum desconforto, principalmente quando a solidão, pedregosa solidão, bate insistente com suas ondas revoltas. 


Tento expulsá-la, é difícil quando se sente só, acompanhado pode ser mais fácil disfarçar, camuflar a solidão. Olho para o verde-mar-esmeralda e tenho esperanças num relance, num instante, desse olhar.


Não tenho pretensão para a perfeição, desisto, melhor viver e aceitar os erros, pois de muitos somos constituídos. Quero um porto seguro para ancorar o meu barquinho de papel, onde encontrá-lo? Há tantos caminhos, qual dentre tantos trilhar?

Solto as rédeas da persona, deixo a vida, imprecisa, conduzir esse leme de ansiedade. Felicidade parece quimera, portanto, quero mais quimeras, muitas. Ó mar salgado, tempera o corpo, alma, inteiros, porque ser insípido? Sequer uma olhada para trás, decerto nem mesmo a mulher de Ló repetiria o feito, nem eu tornar-me estátua pra o vento soprar, a água derreter, estátua nem de sal, nem insensível.


As crianças sorriem, brincam, nadam, nem sabem de coisa quanta, tanta. Um dia aprenderão, ou desaprenderão, por certo, porque aprendemos coisas, esquecemos outras e é humano esquecer, pra não enlouquecer. Ser saudável é o desejável, sem se supor normal. Sem tornado o mar é calmaria, doce ventre de Maria. Ora Senhor, ajuda-nos, sem demora, tenho pressa, ansiedade desde o princípio quer chegar ao fim, e teimo em ir devagar, devagarzinho, pois assim é que se chega, feito formiga, feito tartaruga, ao largo caminho do mundo.


Quisera fazer uma aliança com o mar eterno, cujas ondas passarão e para sempre ficarão, aliança mesclada de ouro e amor, com a natureza, humana e divina.

Ismael Machado
Poeta e escritor


segunda-feira, 1 de junho de 2026

O silêncio grita em linguagem de nomenclatura própria

 


A linguagem do silêncio parece ter maior força de expressão que as muitas línguas que possamos falar.


Na quietude, que não é propriamente paz, o espírito discorre sobre vidas e fatos inusitados, sequer concebidos pela mente consciente, e por dentro e por fora vagueia essa fala interior, em que o próprio ser se trai analisando suas realidades conscientes e inconscientes. É, então, travada uma imensa batalha, sem palavras. E a mente, recorrente, atemporal, vai buscar na dramaturgia shakespeareana suas possibilidades, a fim de juntos repetirem velha questão vital: “To be or not to be?”


Sem respostas prossegue o silêncio, devorador, devastador, com suas injunções, iminente, presto a lançar mão d’alguma elocução letal, para dizer-nos uma porção daquelas realidades que preferimos guardadas, escondidas ou camufladas.


Acusa-se, e ainda mesmo como réu, se condena, sem ao menos ter em conta que não se foi oficiado para tal. Esse silêncio é o eu, pequeno ou adulto, não importa, um eu despido frente ao espelho, ele mesmo, como é


Quisera rir, o riso travou, chorar, gemido não tem, então busca-se ambos, rir e chorar num só tempo, em que a morte e a vida estão co’as mão dadas, dando-se a impressão de tamanha perplexidade...


E o silêncio, por vezes, companheiro perfeito da solidão, cavalga terras desconhecidas dos meros humanos, campos interiores muito vastos, nunca d’antes palmilhados. Onde vai dar tal cavalgada? O que mais nos dirá, em versos, esse tudo e aparente nada?...


Psiu!... Escuta. Será diálogo ou discussão a próxima fala?


Ismael Machado
Poeta e escritor

domingo, 31 de maio de 2026

[SONETO MONOSSILÁBICO]


eu não sei ser só! 
só, sou mais um sem mar,
a ter o céu sem sol,
a não ter paz, nem ar.

só, eu fui e não sou mais!
se é bom? ah, não sei se é...
fui só e o sol tão meu
se pôs no céu, que não o teu.

diz pra mim que eu sou
no teu céu de dor,
luz e cor, mel e sal.

diz: que só, eu não hei de ser, 
que és o meu sim, sem os nãos,
que és o bem para o meu mal.
.
.
______
[Daufen Bach]

sábado, 30 de maio de 2026

domingo, 24 de maio de 2026

Sobre preservar o que vale mais que o dinheiro

Jacqueline Kennedy Onassis


Em 1979, Jacqueline Kennedy Onassis pagou 1,1 milhão de dólares por um trecho de costa varrida pelos ventos em Martha’s Vineyard que a maioria dos compradores já tinha rejeitado.

Não havia nenhuma mansão imponente sobre as falésias. Nenhum jardim perfeitamente cuidado. Apenas uma antiga fazenda de ovelhas, uma cabana simples de caça e hectares de campos salgados onde o vento do Atlântico dobrava a relva até quase a tocar o chão. Para os investidores, era um problema. Para Jackie, era um refúgio.

Ela não nivelou a terra nem a dividiu em lotes. Chamou a sua amiga mais próxima, a designer de jardins Rachel “Bunny” Mellon, para moldar o terreno com leveza, como se sempre tivesse sido assim. Encomendou ao arquiteto Hugh Newell Jacobsen uma casa que não dominasse a paisagem, mas que se acomodasse nela — baixa, em madeira de cedro, sensível à luz e ao vento.

Ela andava de bicicleta por trilhos de areia em direção ao farol. Estudava as marés para correr na praia quando a areia estava firme e o oceano em repouso. Aprendeu os ritmos da lagoa de Menemsha e observava a garça-azul levantar voo dos canaviais ao entardecer. Leu sobre a história do povo Wampanoag, inscrita nas falésias, e carregou essas memórias com respeito silencioso. Chamava aquele lugar de o mais belo do mundo — não apenas pela paisagem, mas pelo sentimento de liberdade, de algo intacto e essencial.

Ela ensinou os filhos a vê-lo assim também. Não como propriedade. Não como privilégio. Mas como responsabilidade.

Quando Jackie morreu em 1994, a terra passou para a filha, Caroline Kennedy, e para o filho, John F. Kennedy Jr. Após a morte de John num acidente de avião em 1999, Caroline e o marido tornaram-se os únicos guardiões daquele lugar. Criaram os filhos ali, durante verões moldados pela maré e pelo vento.

Colhiam lagostas na lagoa de Menemsha. Plantavam hortas e levavam os seus produtos à feira agrícola local — sem nunca ganhar um prémio. Caminhavam diariamente pela praia, e cada um voltava com uma única concha — a melhor que conseguia encontrar — formando uma coleção silenciosa em casa.

Também abriram o espaço a cientistas. Biólogos mapearam ecossistemas costeiros raros. Botânicos estudaram orquídeas frágeis. Ornitólogos acompanharam aves protegidas a atravessar as correntes de ar sobre as dunas. A terra, antes vista como comum, revelou-se extraordinária — um refúgio para espécies que não sobreviveriam se fossem deslocadas.

Em 2019, chegou o momento decisivo. A propriedade estava avaliada em 65 milhões de dólares. Caroline já era mais velha. Os filhos já tinham as suas próprias vidas. A manutenção daquele nível de responsabilidade tornava-se cada vez mais difícil.

O caminho mais fácil seria vender ao maior licitante. Um comprador privado dividiria os 350 acres em propriedades exclusivas, com portões fechados e acessos restritos. As paisagens continuariam verdes, mas silenciosamente inacessíveis. Os ecossistemas poderiam sobreviver — ou desaparecer sem testemunhas.

Mas Caroline escreveu à comunidade da ilha. Citou o poema Ítaca, de C. P. Cavafy, que a mãe admirava: a ideia de que o destino importa menos do que o caminho percorrido até ele. Disse que a mãe lhes tinha ensinado que a vida é feita de novas jornadas, e que esperava que outra família valorizasse Red Gate Farm como eles valorizaram.

Depois, fez algo inesperado: vendeu a propriedade não a um bilionário, mas a duas organizações de conservação, por 37 milhões de dólares — muito abaixo do valor de mercado. Mais de 336 acres foram protegidos de forma permanente.

Hoje, o local é conhecido como Squibnocket Pond Reservation. Qualquer pessoa pode caminhar pelas praias voltadas para o Atlântico. Qualquer pessoa pode atravessar as dunas onde o vento parece mover o próprio chão. Qualquer pessoa pode estar naquele mesmo espaço onde Jacqueline Kennedy um dia entendeu que certos lugares não pertencem a uma só família, por mais amor que exista neles.

Não foi um gesto repentino de generosidade. Foi o resultado de uma decisão iniciada décadas antes: escolher preservar em vez de possuir. E continuada por uma filha que, quando chegou o momento, não fechou o lugar — abriu-o.

O lugar mais bonito do mundo, dizia Jackie.


Agora, pertence a todos os que sabem caminhar com cuidado sobre ele.

Pâgina do Facebook: "Sobre Literatura?"



segunda-feira, 11 de maio de 2026

Ricos de que mesmo?



Há muitos ricos contaminados, endiabrados com toda sorte de maldades, pobres de toda bondade. I am so sorry!

Pois, há aqueles empobrecidos pelo dinheiro, meros miseráveis. Habitam em castelos, porém, são uma favela de sentimentos.

Justamente aquele homem em Vaduz apareceu-me com os olhos esbugalhados da maldade, trazia os dentes retorcidos de rangê-los e os sentimentos distantes da essência, pois o vil metal corrompe mais que a ferrugem.

São esses os pobres sofredores, de outra sorte, iguais aos seus oprimidos.

Será que isso vale a pena?
Seria essa alma assim tão pequena?

Ismael Machado

domingo, 10 de maio de 2026

Alpes



Nos Alpes, as cobertas de neve aquecem 
as montanhas do gelo humano.

Ismael Machado 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

A inveja existe?


Onde a felicidade está a inveja pode fazer ronda e desejar o seu fuzilamento. 

Cuidado. Mas não te imobilizes, o antídoto é seguir fazendo o bem. 

A Luz anula as trevas.

Ismael Machado 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Festa de máscaras

Praga, República Checa
(Photo by Raquel Miranda)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Jewishes or other peoples, os óculos de cristal do poeta

Jewish Museum, Berlin.

Em pleno século XX, eram os anos de 1939 a 1945, esse terrivel e interminável tempo, e eu ali ainda vi o ódio matar milhões e milhões de humanos (com carne, dor, sangue e sentimento), eu vi novamente Ramá chorando por seus filhos mortos em um labirinto de horrores, onde havia muitos Minotauros. Eu vi o verbo clamando por seus pobres filhos esquálidos, famintos, doentes, ignorantes de toda sorte.


Homens, mulheres, crianças, inocentes foram mortos num jardim entre as regadas e crescidas flores da crueldade.


Era Herodes ressuscitado em carne e osso, vivo em outros corpos da vildade, sem qualquer piedade. O Nazifascismo persiste no século XXI, tempo em que os algarismos romanos quase nem se usam mais.


A Terra, às vezes, me parece apenas um gueto, um lugar onde os holocaustos se concentram em incontáveis campos, eles se sucedem, em quaisquer tempos, entre as nações. Isso beira um tom de ironia. But the World, seriously, represents a place where oprimidos tantas vezes tomam as máscaras dos seus opressores, e eles as acham tão bonitas, lhes encaixam tão perfeitamente nas faces, que olvidam o seu lugar de origem, olvidam os seus pares oprimidos de outrora, de agora, e desde sempre.


Perdão, há uma confusão, o antissemitismo diverge do sionismo, na mesma proporção da distância que vai do oprimido ao opressor, pois eles estão equidistantes. Há medos inumeráveis de ambos os lados, mas amar Ramá, em todos os sentidos, lendo da direita pra esquerda, ou o inverso disso, repito, amar Ramá, lança fora todo o medo. Porque na etimologia do amor não há medo.


Os antigos filósofos gregos, inventores da democracia, revolvem-se em suas catacumbas, delas querem se levantar e corrigir o que, hodiernamente, entendem por democracia, hoje com suas falsas ideologias, fajutos e toscos modos de pensar o mundo.


Eu quero a Menorá, de ouro maciço, bem dentro de mim, com seus sete sagrados dons, sua Luz espargindo os seus raios, sem um fim. Nessa Shekinah cantarei os cânticos duma sabedoria indescritível aos meros mortais. Ali, em meu peito, novamente crescerão os ramos da Árvore da Vida, sob suas sombras verei outros rebentos sorridentes.


O que eu vejo é infinitamente melhor do que a lente da minha câmera. Com os meus óculos de poeta eu posso reenxergar a realidade míope.


Ismael Machado

quarta-feira, 29 de abril de 2026

500 anos da virgula

Muito boa a campanha da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), por ocasião dos seus 100 anos de fundação. A campanha versou sobre os mais de 500 anos do uso da vírgula na Lingua Portuguesa. 


*A virgula pode ser uma pausa, ou nao. 

Não, espere.

Não espere.


*Ela pode sumir com seu dinheiro:

R$ 23,4.

R$ 2,34.


*Pode criar heróis:

Isso só, ele resolve! 

Isso, só ele resolve! 


*Ela pode ser a solução:

Vamos perder, nada foi resolvido! 

Vamos perder nada, foi resolvido! 


*A vírgula muda uma opinião:

Não queremos saber! 

Não, queremos saber! 


*A vírgula pode condenar ou salvar:

Não tenha clemência!

Não, tenha clemência!


*Uma vírgula muda tudo!


ABI: 100 anos trabalhando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.


Considerações adicionais: 

*Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andsria de quatro à sua procura.


* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de "mulher".


*Se você for homem, colocou a vírgula depois de "tem".


😂😂😂😃


*Moral da história:

A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos a pontuação!


*Pontue sua vida com o que realmente importa.

Isso faz toda a diferença!

quinta-feira, 23 de abril de 2026

domingo, 19 de abril de 2026

segunda-feira, 13 de abril de 2026

De volta ao mar




Quero sempre voltar ao mar, e ficar, e nele fluir.

Quero por o meu corpo salgado das mais verdes ondas, alegres fantasias.

Quero a completude do número nove e de suas provas, ele e eu, de cabeça erguida, com os pés plantados na terra.

A face oculta da  Lua me quer revelar verdades dessa pobre humanidade, com suas crateras de medos e profundas decepções. 


Ismael Machado 

sábado, 4 de abril de 2026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Onde se bebe o brilho das estrelas


Família, por vezes, é quase toda feita de afeto, onde as afinidades e as divergências tentam conversar, estabelecer um diálogo, convergir em naturais incongruências.

Parentela não, ela é mero laço consanguíneo e, às vezes, aprisiona os pobres entes sob o mesmo teto, sem outra alternativa, sem afeto.

Já família é abraço, companhia, dialogicidade, busca de encontros,
alegrias, em quaisquer tempos ou distâncias. Família tem um quê de
fidelidade, respeito e lealdade. Aliás, família tem a força da luz que rompe a barreira do tempo, ela vai do choro do nascimento, perpassa as fases da
vida e adentra as lágrimas do sepulcro. Família é aquela parte que vai além da vida, em visitas tumulares, décadas após o sepultamento, porque
família é memória, jamais esquecimento, é saudade, lembrança que não se
apaga, não se acaba, um sentimento que apenas cresce, sem um fim.

Família é o cultivo cuidadoso da amizade, quando juntos se gera e
compartilha a felicidade. Espaço para desfazimento das discórdias, de suas transmutações em outras possibilidades.

Parentela é distância, às vezes, indiferença, e o sangue não flui por iguais caminhos venosos, sequer pelos mesmos ideais, os quais são díspares, criam arrelias, confusões arteriais, altas pressões, que nem os remédios dão conta depois.

Bem sei, família é lar, aconchego para onde se quer voltar, estar,
permanecer, jamais dela se quer sair, fugir. Porque isso já seria parentela. 

É que família contém toda ela a circunferência do amor, em seus diâmetros, desafios.

Somente a família serve delícias culinárias, cuidadosamente, amorosamente
preparadas para almoços que alongam as tardes de domingo, ou para jantares intermináveis, inesquecíveis, donde os entes saem felizes, inebriados.

Espaço onde, na infância,  se bebe o brilho das estrelas, em noites de
sonhos e ternuras, no colo do pai ou da mãe, quando os olhos enxergam e fazem pedidos cadentes. Onde se come o pão feito do sol do acalento de incontáveis dias.

Às vezes, família quer parecer parentela, mas depois cai em si e pede perdão pelo equívoco daquilo que efetivamente não é, e não desejaria ser
jamais.

Parente, infelizmente, quantas vezes atormenta a gente, parente pode ser provação, com os verbos conjugados no tempo do presente do indicativo de que está sendo inoportuno.

Cuidado, parente pode ser esse animal aparentemente domesticado, algo inocente, que assim, algo sorrateiramente, inesperadamente, morde a gente.

Ismael Machado
Escritor e poeta

terça-feira, 24 de março de 2026

Eu só peço a Deus, com Mercedes Sosa e Beth Carvalho



Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucado brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda pobre inocência desta gente
É um monstro grande e pisa forte
Toda pobre inocência desta gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganado
Pra viver uma cultura diferente

Solo le pido a Dios
Que la guerra no me sea indiferente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente
Es un monstruo grande y pisa fuerte
Toda la pobre inocencia de la gente

Muito obrigado Beth
Por haberme convidado para cantar para su público
En esta noche en Rio de Janeiro, obrigada a você
Um beijo Mercedes

Compositores: 
Leon Gieco e Raul Ellwanger

segunda-feira, 23 de março de 2026

Rapidamente


 Enquanto adiamos, 
a vida passa.

Sêneca

sábado, 21 de março de 2026

Hoje, 21.03, é o Dia Mundial da Poesia, mas pra mim, Dia da Poesia é todo dia!


Ah! Esses cordéis vão aos céus, escorrendo pelas minhas veias, eles ainda dirão dos dias colossais, dias insabidos aos meros mortais.


Sou só metáfora, mas um dia, encantado, 
inda viro neologismo.


Ismael Machado