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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013!!! (Texto de Morris West)

Amigo(a) leitor(a) deste Blog do Lado Avesso
desejo que as palavras abaixo lhe inspirem
uma atitude o mais assertiva possível em 2013.


“É preciso abandonar por completo  a busca
  da segurança e correr o risco  de viver...
 
 É preciso abraçar o mundo como um amante.

 É preciso cortejar a dúvida e a escuridão
 como preços do conhecimento.

 É preciso uma vontade obstinada no conflito,
 mas também uma capacidade de aceitação total
 de cada consequência do viver e do morrer.”

Morris West em “As sandálias do pescador”

sábado, 29 de dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sobre pais e filhos, do livro Folhas Brasileiras


Que os pais caminhem com seus filhos
Longas jornadas,
Conversem muito sobre coisa quanta.
Tomem-os pelas mãos
E sigam pelos caminhos estreitos do mundo.
Digam coisas que nunca disseram a outrem,
Sejam amigos para a vida,
E suas histórias se cruzem, se fundam.

Fernando Bandeira
Do livro"Folhas brasileiras, 2010

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Grafismo nr. 128, do livro Folhas Brasileiras


Pôr o orgasmo num lindo vaso de vidro
e ter a coragem de exibí-lo  em praça.
Gozar junto do povo,
compensar a parte que toca o desprazer de viver.

Fernando Bandeira
(Do livro "Folhas brasileiras", 2010)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Partes do poema "Do Brasil, a voz"

“Talvez haja esperança.” (Lam. 3:29)

Lamentos:
A voz do Brasil lamenta a corrupção que brota da terra, no seio das famílias,
feito erva daninha.

A voz do Brasil chora seus filhos mortos em chacinas, sem que ninguém tenha
sido punido.

A voz do Brasil clama por suas filhas prostituídas em qualquer lugar do mundo, comercializadas, escravizadas.

(...)

Esta voz se levanta, e não é ouvida pelo seu povo.

Em Brasília, dezenove horas, de seus erros descansa (boa noite!), em paz!?,
em esplêndido berço.

Orgulho:
A  voz  do  Brasil  homenageia  Carlos Gomes,  com  o  nosso “O Guarani”,
obra magistral, afinal temos alegria e nem só de lamento se vive.

Esperança:
A  voz  do  Brasil  pretende  comemorar   em   alegres  falas  o heptacampeonato
mundial da seleção brasileira de futebol. Há, pois, esperanças além dos campos.

Ismael Machado
Do livro "Folhas brasileiras", 2010

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Mar Portuguez


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa

sábado, 8 de dezembro de 2012

Grafismo nr. 148, do livro Folhas Brasileiras


A gramática e a poética por vezes parecem equidistantes,
semelham razão e emoção,
duas galáxias querendo se encontrar.
Será possível?
 Ao poeta há possibilidades intergalácticas.

Fernando Bandeira
Do livro "Folhas brasileiras, 2006

Com as Meninas Cantoras de Porto Murtinho - MS

Parabéns às meninas cantoras de Porto Murtinho (MS), pois cantam e encantam!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Com Delasnieve Daspet, presidente do Fórum de Cultura de MS

   
     
    
Com a escritora Delasnieve Daspet, do Movimiento Internacional
 Poetas del Mundo (Embajadora del Brasil). Noite de 30.11.12, 
                                              Espaço da Poesia da Fundação de Cultura de MS.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Comemorando mais de 1000 Visualizações no Blog do Lado Avesso


Obrigado a você, leitor do Blogue do Lado Avesso.
 Desejo-lhe muito sucesso e inúmeras alegrias.

O prazer de escrever adquire mais sentido quando se encontra com o prazer de ler.

Agradeço, também, de modo especial, a cada um dos seguidores deste Blogue. 
Que estes versos do lado avesso possam inspirar novas posturas,
novos jeitos de viver a vida.

Um abraço,
Ismael Machado

Contradições da terra-pátria


Salve lindo pendão
Verde-esperança,
Verde das matas.

Brasil, olha sua cara:
Amarelo-ouro, do sol,
Azul celestial.

Bandeira branca da paz
Que desejamos viver.
Bem se vê o amarelo estampado
No rosto da fome
De quantos de seus filhos.

Meio milênio esperamos
A paz social, a ordem, o progresso,
Não simplesmente do ter,
Para não constituir regresso do ser.

Bandeira brasileira,
Tremula altaneira no planalto,
De norte a sul, leste a oeste,
Tremula aos ventos, políticas,
Enquanto seu povo treme nas ruas.

Brasil, levanta deste berço esplêndido,
Ajuda os seus marginalizados.

Bravos brasileiros,
Verdes de raiva da corrupção,
Azuis de medo da violência.

Cantem seus hinos,
Espantem seus fantasmas,
Assentados em salões verdes,
Ou azuis.
Ah! se pelo menos eles, os nossos fantasmas,
Fossem transparentes.

O verde da nossa Bandeira
Está ameaçado por cidadãos inescrupulosos,
Algozes das futuras gerações.

Longe vamos, ainda, distantes das letras
Dos hinos, cujos ideais proclamamos.

Ismael Machado
Fonte: livro Folhas Brasileiras, 2006

Noite de Autógrafos no Espaço da Poesia - 30.11.12

Os céus do Brasil, nas noites, têm mais estrelas.
As pessoas, nas dificuldades, mais esperanças.

Fernando Bandeira 

 Com Américo Calheiros, 
Presidente da Fundação de Cultura de MS









sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ah! O Brasil, meu Brasil brasileiro!

                                               
O Brasil é ali, do outro lado da rua,
                          Onde tem uma mulher nua, dando referência a um dado senhor,
                              Lord, talvez (?!), quiçá um despudorado, vestido, travestido,
                                                              Do mesmo lado da rua.

                                O Brasil é aqui, onde canto e decanto este verso vadio,
                                        De quem se importa menos com o que parece
                                                     E mais com o que está despido.
                                                      O Brasil está dentro deste eu,
                                                  Ambos são essência, alma e pele. 

Fernando Bandeira

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Do livro Folhas de Março


A minha solidão está acompanhada de muitos “eus”.

Ismael Machado

Construções infelizes


Não vá sujar o branco papel
Nem com frases ou palavras.
Construções sem cabimento!
Também ninguém, quem terá
Culpa, de seu erro
Feito tormento?

Se errou, que importa?
Melhor é prosseguir...
Acertos, de erros
melhor se fazem.
Afinal, quem julgar poderá?
Certo não será o tal;
Não sem tisnar o branco papel.

Ismael Machado
Do livro Folhas de Março, 2006
(edição esgotada)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Semana da Consciência Negra

  Alforria do Coração

 Ao negro fundador da Academia Brasileira de Letras,
Machado de Assis

Da cana-de-açúcar, ele refinado, nas mesas européias,
Branquinho, fez-se a causa primeira
da escura escravidão brasileira.

Tomé de Souza, D. Manuel III, (humanos?),
Autorizaram a vinda dos primeiros “negros da Guiné”,
Era o ano de 1532, vergonha iniciada,
página somente, parcialmente virada, após três séculos.
Será???......

Bravos negros, construíram, com trabalho escravo e raça,
O que os brancos escravocratas não conseguiriam em solo pátrio.

Não se pode falar, não se sentir, tamanha a dor nos porões
Dos negreiros navios, as chibatas serão pomadas a penetrar
Em suas peles coradas de saudades, angústias.
O banzo, as fugas, a sabotagem, o envenenamento dos senhores,
Os quilombos, constituíram os heróis da resistência,
Pois os guerreiros se multiplicaram, sobreviveram
aos horrores da escravatura.

Depois os quilombos serão numerosas cidades nossas.
O berimbau, o bongô e o atabaque forjam os ritmos afro-brasileiros:
Maracatu, frevo, timbalada e o nosso samba, sem igual.
Enquanto o vatapá, o caruru, o acarajé e a feijoada, iguarias nacionais,
Devem-se ao sabor da negritude.
Já a capoeira, misto de dança e luta, outrora punida com chibata,
Agora é exportada para a Europa. Os tempos mudam, as pessoas
às vezes morrem antes.

Lei Áurea, liberdade relegada à própria sorte. Mais de século depois
E a injustiça perdura, o desrespeito racial grita e não o ouvem
Os brancos e burgueses ouvidos do poder, os habitantes da
Casagrande, distantes das Senzalas que a Lei não aboliu.

Quisera alforriar alguns dos chamados “brancos”, a burguesia,
Da dureza de seus corações empedernidos.

Fernando Bandeira
Do livro: Folhas Brasileiras, 2010

domingo, 18 de novembro de 2012

A saga de escrever, de falar, de ser

Para Mae West

Tu queres a palavra?
E a palavra te quer?
Se queres mesmo
Tome-a, segure-a.
Lavrada em laudas soltas
Em bocas vazias, abertas, falantes
Ta dou.
Cuidado! Não a deixe cair,
Não a deixe quebrar, partir
Nem mais uma vez.
De mão em mão,
De boca em boca,
E papel em papel,
Vá seguramente passando.
Fugidia ela escapa
Pelos vãos dos dedos das mãos,
Por tudo perpassa
A todos aponta, acusa, ameaça.
Substantivada no feminino, feminista
Inveterada.
Poderosa, o adjetivo predileto.
A palavra é também pronome,
Preferentemente me, mi, comigo, eu.
Artigo: o, a, um, uma – bissexuada.
Advérbio, o seu jeito de ser e estar.
Também preposição, no sentido “literis”,
Posta de antemão.
Interjeição tantas vezes
E muito, muito mais. Não duvide
Ela faz reger, concordar
De forma verbal ou nominal.
Em ação a palavra transmuta-se
No Verbo: Falo.
Ela, criadora e criatura incriada.

Ismael Machado
(Poema premiado pela Editora da UFMS no III Concurso Literário: Lobivar de Matos. Publicado na Coletânea 
do referido prêmio e também no livro Folhas de Março, 2006).

domingo, 11 de novembro de 2012

Poema com o brilho do Quintana

O grilo procura
no escuro
o mais puro diamante perdido.

O grilo
com as suas frágeis britadeiras de vidro
perfura

as implacáveis solidões noturnas.

E se o que tanto buscas só existe
em tua límpida loucura

- que importa? -

isso
exatamente isso
é o teu diamante mais puro!


Mário Quintana

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Poemeto informatizado

Acessar o coração,
clicar o sentimento,
salvar o respeito,
“deletar” o ódio,
digitar a compaixão
e enviar a esperança
                                                       com o amor “on-line”.

                                            Fonte: livro Folhas Brasileiras, 2010.
           
                                                   

Parte IX de "O guardador de Rebanhos" - Fernando Pessoa

Sou o guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto
E me deito ao comprido da erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade.
Sei a verdade e sou feliz.

Alberto Caieiro (Fernando Pessoa)

domingo, 4 de novembro de 2012

O silêncio grita alto e em linguagem de nomenclatura própria

A linguagem do silêncio tem maior força de expressão que as muitas línguas que possamos falar.

Na quietude, que não é paz, o espírito discorre sobre vidas e fatos não apenas inusitados, mas sequer concebidos pela mente consciente, e por dentro e por fora vagueia esta fala interior, em que o próprio ser se trai analisando suas realidades inconscientes. É então travada imensa luta, uma guerra plena – sem palavras. E a mente, recorrente, atemporal, vai buscar Shakespeare, pra juntos repetirem velha questão vital: “To be or not to be?”

Sem respostas prossegue o silêncio, devorador, devastador, com suas ameaças e injunções perigosas, feito inimigo mor, iminente, presto a lançar mão de elocução felina, pra dizer-nos uma porção daquelas verdades que preferimos guardadas, escondidas, ou camufladas.

Acusa-se, e como réu, se condena, sem ao menos ter em conta que não se foi oficiado para tal.

Esse silêncio é o eu, pequeno ou grande, não importa, mas um eu despido frente ao espelho, ele mesmo, como é.

Quisera rir, o riso travou, chorar, gemido não tem, então busca-se rir e chorar num só tempo, onde morte e vida estão co’as mão dadas, dando-se a impressão de tamanha perplexidade ocidental.

E o silêncio, companheiro perfeito da solidão, cavalga terras desconhecidas dos "humanóides”, campos interiores muito vastos, nunca d’antes palmilhados.
Onde vai dar tal cavalgada? O que mais dirá este tudo e aparente nada?

Psiu!... Escuta. Será diálogo ou discussão a próxima fala?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Grafismo do livro Folhas de Março

Uma fórmula na matemática da vida:
Quanto é independente de ti a tua felicidade
É o equivalente a tua infelicidade.

Canção amiga

“Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.”

                                                Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Com a escritora Sandra Andrade


Noite de autógrafos do livro
"Mato Grosso do Sul, em frente e Verso, em Prosa e Poesia",
de Sandra Andrade.

Somos matéria dos sonhos

Aos que ousam amar

Vagalume a vagar
Em noite escura,
Sem luar.

Pirilampo na escuridão,
Pirilampo, pirilampo,
Iluminando a solidão.

Onde você vagalume
Que vagava na infância
E iluminava
O mundo inteiro de criança?!

Onde vagalume?

Será ainda vaga com lume
Em noites estreladas
De sonhos infantis?

Pirilampo na escuridão
Pirilampo, pirilampo,
Iluminando a solidão.

Ismael Machado

Do livro Folhas de Março, 2006

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Comentários da Jornalista Carmen Cestari

Esperança! Este é o sentimento que desperta ao ler os textos de Ismael Machado. E ela se revela de diversas formas. Esperança de um mundo melhor, mais justo, mais ético, mais humano. Mas é a esperança de que as palavras a seguir convençam cada vez mais pessoas de que este mundo é realmente possível.

É um autor que transita no tempo sem pudor. Em “Folhas Brasileiras” vai do passado ao futuro em um segundo. Viaja pela mitologia e nos traz de volta os grandes mestres do passado. É um defensor implacável da natureza e do lugar em que nasceu. É comovente perceber o orgulho que ele sente de seu chão!

Mas o seu grande talento talvez esteja no fato de que ele não se dá por vencido. Insiste, persiste, resiste! E nos revela o quanto as palavras são capazes de despertar idéias, de provocar sorrisos, de nos confrontar com a realidade. Realidade que o escritor tem o poder de tornar mais bonita.

Que suas palavras e idéias sejam levadas a todos aqueles que também desejam um mundo mais justo e mais poético!

Carmen Cestari
Jornalista

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Um brinde

Quero duvidar para saber mais,
Criticar, não ser passivo, assumir riscos.
Determinar viver com alegria cada dia,
Esperar menos dos outros, mais de mim.
Também renunciar às minhas inseguranças,
Banir os medos, amar as pessoas
Sem desejar mudá-las.
Ser e deixar serem
absolutamente
Livre(s).
V
i
v
a
!
Fernando Bandeira

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Muda o medo, o tempo transmuta o ser

Índia do oriente, cunhataí porã
Amo você.

Sua pele cor de jambo,
Cujos sentimentos são plumas,
Sobre as quais me deito.

Vinte e oito de maio, e os seus olhos
Estão esplendidamente verdes.
Faz-me verde-esperança o seu olhar.

Rotinas, dragões, devoram a essência,
Medos paralisam a alma.
Movimentos contraem, relaxam.
O Universo no seu corpo tem seu ritmo,
Sem igual.

Ritmicamente bate assim:
Coração, desejo, sina,
Desejo, sina, coração.

Quero viver tempo infindo,
Desfrutar a alegria, estar ao seu lado,
Entregar-lhe o meu bem, meu mal.
Sacrificar-me na pira,
No fogo das emoções, por você.

Sentimento mor muda a fera,
Muda a bela, muda o medo.
Só não muda o meu amor.

Fundamentos epistemológicos

Titãs em marcha, Zeus no Monte Olimpo, Hércules e seus doze trabalhos, musas de todos os tempos, Hades e seus mortos, “daimons”, regiões de seres horripilantes, umbral das trevas, pára-além da nossa vã suposição de bom e mau.

Inferno eterno de dores, rangeres de dentes estridentes, onde se vêem dragões de regiões hediondas.

Planetas alinhados a milhões de anos luz, Estrela Fulgurante nos céus de Belém, Magos Viajores anunciando as boas novas, nasceu o Filho do Homem.

Uma charada: “-Como se mata Deus?” Nietzche tem a resposta em sua proclamação assombrosa. Mera constatação d’uma ocorrência pós-moderna. Deus está sepultado no cerne da usura dos tempos atuais.

Hércules, deus e homem, quem poderá salvar-nos nestes dias? Hércules, o grego. Joshua, o hebreu, zombado, escarnecido, malquisto na Judéia, em qualquer lugar, nestes dois milênios.

Aquiles se desfez no pó de seu calcanhar. Cada qual tem sua fraqueza, até mesmo o grande apóstolo,
o qual escapou das garras de dragões, tinha um espinho (quem nos poderá desvelar este segredo?
ele não revelou).

O semi-deus, filho de Zeus, não sorveu a última gota do veneno letal, há uma chance de retornar
ao Olimpo, ao Éden.

Mégara, a bárbara de Hércules, Dalila, a mentira de Sansão.
Herói, de verdade, só se forja no coração.
O amor tem poderes alquímicos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Café "A Brasileira" - Lisboa

Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Fernando Pessoa

Sete perguntas cruciais e breves ensaios de respostas

Dedicado ao poeta Walt Whitman

What

– O que será? Será do jeito e aquilo que quiser ser.

Where

– Onde nos levará? Levará ao Reino da Consciência, do que se foi, do que se é, do que será, do propósito para que se foi criado pelo Incriado.

How

- Como será? Será do jeito de cada um,  respeitando caracteres idiossincráticos, aristocráticos ou não.

Who

- Quem nos ajudará? Quem puder e quiser mostrar o melhor que há em nós, esquecendo pudores falsos, amores prolixos, para caminhar rumo ao eu mais profundo, arquétipo, ou não.

How much

- Qual o preço do autoconhecimento? Vale a jornada da vida, plena de percalços, vale a descoberta de nós mesmos, vale o que não tem preço, o que não se pode comprar, porém aguarda desde sempre para ser conquistado, dentro de nós mesmos, qual um diamante, cuja posse nos tornará imensamente ricos. Vale, o valor do amor, custa sim, o preço da felicidade.

When

- Quando será esse dia de sorte? Esse grande dia será quando se desejar profundamente o que se quer realizar. Quando apreendermos o valor da simplicidade, então, será. E não precisará dizer mais nada, porque saberemos que tudo já foi dito embaixo do céu, do sol. Só nos restará seguir o caminho das águas que fluem para o grande mar.

Why

Por que temos tantas perguntas e tão poucas respostas? Talvez porque não sabemos quem somos, nem de onde viemos, nem para onde, efetivamente, iremos. Porque conhecemos tão pouco do Universo, porque a imensidão do Cosmos nos deixa aterrados, ainda mais terráqueos, quais vermezinhos ao Sol, e logo vem a morte nos abater e nos levar na viagem desconhecida. Todos temos medos, velados ou não, somos filhos do pó das galáxias,  viajores sem guarida, querendo se encontrar, conhecer o Infinito, ir até o fim, provar o amargo e o doce, viver. 

Fernando Bandeira
Do livro "Folhas brasileiras, 2010

Grafismo à guisa de prefácio



Escrevo os meus versos na areia,
O vento, a chuva e o tempo irão apagá-los.
Alegro-me por não ter de me desdizer.

Fernando Bandeira
Do livro "Folhas brasileiras, 2010

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Do livro "Folhas Brasileiras"


  Os de baixo, os de cima
Dedicado a Florestan Fernandes
Os de cima gozam,
Os de baixo servem,
Os de cima mandam,
Os de baixo calam,
Os de cima imperam,
Os de baixo sofrem,
Os de cima oprimem,
Os de baixo consentem,
Os de cima cantam,
Os de baixo gemem,
Os de cima compram,
Os de baixo mendigam,
Os de cima vivem,
Os de baixo sobrevivem,
Os de cima podem,
Os de baixo desejam,
Os de cima se vangloriam,
Os de baixo se humilham,
Os de cima se adornam,
Os de baixo gostariam.

Os de cima sufocam,
Os de cima negam,
Os de baixo querem lutar,
Não podem se conformar.

Os de cima são burgueses,
Os de baixo operários, oprimidos.
Mas, sobretudo,
 são seres
[humanos],
Iguaizinhos àqueles.


Fernando Bandeira
Do livro "Folhas brasileiras", 2010